Culinária junina curitibana: história, natureza e cultura

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Autora: Ana Paula Senn
Orientador: Prof. Carlos Roberto Antunes dos Santos
Trabalho de Conclusão de Curso- Nutrição/Bacharelado-2007.

Pode-se dizer que o hábito alimentar dos cidadãos revela-se também através da própria história da formação da sua cozinha. No Brasil, a configuração histórica e cultural da cozinha do país define e é definida por muitos aspectos inerentes ao ato alimentar do brasileiro e pode ser identificada em muitos momentos de manifestação cultural como as festas populares. Estas configuram-se como ocasião da exaltação da cultura de um povo, explosão de manifestações cujo sentido é o festejo a si mesmo, no qual os hábitos alimentares estão inseridos de forma essencial e marcante.

A festa junina, uma das festas populares mais importantes da cultura brasileira, foi analisada nesse trabalho do ponto de vista da sua culinária típica, evidenciando a relação estreita que existe entre o tempo da cultura e o tempo da natureza. A cozinha regional típica foi posicionada como fator de resistência, inserção, vivência e identificação cultural.

Foram realizadas entrevistas, visando a construção de uma História Oral, com organizadores de três festas juninas realizadas por instituições tradicionais na cidade de Curitiba. A partir dos relatos e do contexto geral da festa, analisou-se o universo da comida presente bem como a sua representação dentro da festa e procurou-se caracterizar uma festa junina tipicamente curitibana através dos seus aspectos culinários.  

A cozinha junina curitibana é resultante de muitos dos aspectos sociais, históricos e culturais que podem definir qualquer outra cozinha, constituindo-se como um dos reflexos da história da culinária nacional. Adapta-se ao público, às circunstâncias e às particularidades culturais de cada festa. É formada por tradições constituídas principalmente pelo tempo da natureza, refletidas na utilização do milho e do amendoim, ingredientes cujas colheitas acontecem na época da festa. Também contém traços de influências de outras culturas advindas de processos migratórios e conseqüências discretas do processo de globalização da culinária. No entanto, ainda assim, coloca-se como resistente a esse processo. Com a “cozinha mestiça da roça” inserida no meio urbano através da festa junina, torna-se possível resistir a uma perda dos sentidos sobre as tradições culinárias. Por meio de receitas simples e com sabor bucólico, exacerba-se, no mês de junho, a importância dessa culinária, tão cheia de primores e de história, para a manutenção da tradicional cozinha regional curitibana.

A caracterização gastronômica da festa junina curitibana se dá por meio dos elementos tradicionais – colocados aqui como o pinhão e o quentão, além dos pratos à base de milho e amendoim – aliados aos que se configuram como os mais consumidos, estes definidos principalmente pela influência migratória e representados pelo espetinho, cachorro quente e pelo pastel. Através da culinária junina, o curitibano identifica-se com sua própria cultura, seja qual for a sua descendência, uma vez que a festa contém influências de muitas das etnias que ajudaram a configurar a sociedade curitibana. Além disso, sente-se inserido na comunidade de forma saudável e participativa, resgata valores culturais importantes não mais tão evidentes na sociedade atual e vivencia uma época distante durante a qual esses valores eram práticas constantes. Torna-se possível, mais uma vez através da culinária típica regional, satisfazer-se cultural e socialmente e compreender os fatores que a influenciam e a definem.

Palavras-chaves: culinária; história; alimentação; cultura; festa junina.



 

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