DRUMOND BRAGA, I. M. R. Arte nova e curiosa para conserveiros, confeiteiros e copeiros: e mais pessoas que se ocupam em fazer doces e conservas com frutas de várias qualidades e outras muitas receitas particulares que pertencem à mesma arte. Sintra: Colares Editora, [S.d.]. 108 p. Deborah Agulham Carvalho
Em Arte nova e curiosa para conserveiros, confeiteiros e copeiros: e mais pessoas que se ocupam em fazer doces e conservas com frutas de várias qualidades e outras muitas receitas particulares que pertencem à mesma arte a historiadora Isabel Drumond Braga faz uma análise bastante minuciosa da obra original, cujo título de então ela mantém; de autoria desconhecida, fora publicada em Lisboa, em 1788, pela Oficina de José de Aquino Bulhões.
Do todo, o que chama a atenção é a atualização feita por essa historiadora, na qualidade de estudiosa da alimentação, donde ela procurou tecer a trajetória da obra original, desde a publicação às possíveis divulgações que se deram quando do seu lançamento. À época, quem o realizou fora o jornal Gazeta de Lisboa ao noticiar, inclusive, o local de compra e seu respectivo preço.
Quanto à obra de autoria de Drumond Braga, divide-se em torno de 160 receitas. A riqueza da intervenção da historiadora está no destrinchar o seu original, no sentido de analisá-lo em sua completude e, por fim, trazer à tona às questões pertinentes à História e à Alimentação. Perpassando pelo estudo dos termos à qualificação dos pratos, doces e bolos, procura chamar a atenção para alguns gêneros (dentre outros vários), tais como o açúcar que se destaca dentre os demais; os ovos, bastante recorrentes na doçaria portuguesa, que são adotados em grandes quantidades. Já as frutas não ficam de fora, cujas quais estão a laranja, o pêssego, o marmelo, a lima, a pêra, as ameixas, as cidras, a abóbora, o melão, a melancia, o morango e a maçã, bem como as amêndoas e as nozes.
Carne de coelho, morcela, língua, pastéis, bolos, broinhas, biscoitos, sonhos, manjares, sorvetes e vinhos são exemplos do que se preparava e degustava então. No entanto o sal, o azeite, o mel, o cravo-da-índia, o almíscar, a água de flor e o âmbar se apresentam no intuito de acentuar ou mesmo suavizar determinados sabores daquilo que deveria ser conservado, cozido ou assado em determinado período de tempo. Dentre os utensílios, estão a escumadeira, o tacho e a colher.
No entanto, a obra perde um pouco da riqueza quando Drumond Braga coloca ao leitor, logo de início, suas observações e preserva, na seqüência, a transcrição das receitas. Tais observações teriam maior ênfase se a historiadora as intercalasse ao texto e dividisse sua publicação em duas partes distintas: a primeira, contendo suas atualizações e intervenções e a segunda, a transcrição do exemplar de 1788. Na qualidade de estudiosa do tema e responsável pela atualização do original, ela em nada pecaria e certamente colocaria em domínio público as questões que não fogem aos olhos do historiador.

|
|